sábado, 10 de abril de 2010

Rosangela Rennó e Fernanda Magalhães


“Sempre me preocupei com o uso social da imagem [...] Gosto de lidar com esse material, porque me fala da vida cotidiana, do indivíduo e do ser humano.
Trata-se de uma questão de atribuição de valor e meu trabalho sempre começa pelo questionamento da atribuição de valor.”

Rosângela Rennó: depoimento. Coleção Circuito Atelier.


Rosângela Rennó, artista plástica brasileira, mineira, mas vive e trabalha no Rio de Janeiro, conhecida internacionalmente, tem uma carreira genial, carregada de prêmios, criatividade, inovações, criações. Quando se fala dela, se remete aos desdobramentos da fotografia e suas particularidades. Fotografias inusitadas, diferentes, muitas vezes aquelas que nem seriam aproveitadas, como ela mesma diz, mas que são parte da cultura, da memória e identidade.
            Trabalha também com fotografias guardadas de jornais, fotografias familiares, 3x4 de estúdios populares, arquivos públicos ou privados, restauradas. Sua visão é a imagem das pessoas, aquilo que está por dentro, por trás, aquilo que não é explorado, histórias pessoais que se tornaram públicas, recordações, identidades, abordando sempre a questão da técnica e teoria da fotografia em si, mesclando com a história do tempo, passado ou atual.
            Em seu acervo, consta um repertorio de exposições coletivas e individuais, caracterizadas pelo seu olhar, e absorvidas pelo nosso olhar atento e curioso pela próxima exposição da artista. Aborda sempre questões diferentes entre um espaço e outro, entre um período e outro.
            Dentro da nossa pesquisa por Rennó, gostei particularmente das obras conjuntas de 43 fotógrafos convidados por ela, que retratam o Cristo Redentor por um ângulo desconhecido, através de câmeras antigas, que marcaram exatamente a ultima foto, como ficou conhecida a sua exposição.
            A ultima foto traz em suas impressões a memória da própria fotografia, com um tom moderno e contemporâneo, criando e reinventando um jeito de sair do comum. As imagens do Cristo e sua criadora, a câmera, assim ficaram na exposição.  





















Uma obra que pode ser considerada incomum entre nós, é a Experiência de Cinema, tão interessante quanto A ultima foto. Na verdade, são projeções de cenas sobre cortinas de fumaças, 31 fotos no total, com temas como romance, guerra, família e crimes.
            Cortinas de fumaças é na realidade a sensação das cenas se esvaecendo, sumindo no espaço, apagando. Como Rosangela Rennó sempre acaba por remeter seus trabalhos à temporalidade das coisas, uma homenagem aos ilusionistas e criadores da imagem em movimento foi feita através desta exposição. O projeto foi concebido como um experimento de arqueologia do cinema, se reportando às primeiras experiências da viagem da imagem.






 

Matéria de Poesia (Título de um poema de Manoel Barros e homenagem ao próprio poeta) corresponde à outra exposição de Rennó, retomando diretamente a obra do poeta, distribuídas em 21 imagens em slides.
            Rennó explora em suas obras as lembranças, afirmando que é mais fácil tentar reinventar, recriar e transmitir as memórias que tê-las de volta, que ter a sensação de que foi vivido, aquele sentimento presente de certo momento é complicado de trazê-lo há outro tempo, mas através de suas fotografias, através de suas obras, ao contextualizar cenas do passado com outro ângulo, acaba por contar historias também.           Ao expor imagens dos desaparecidos e anônimos, nos remete ao passado de subordinações e sem expressões, sem liberdade.
            Outro marco de suas produções fotográficas é a tendência a extrapolar o espaço bidimensional, plano e objetivo, expandindo a fotografia para o campo da tridimensionalidade, para as salas expositivas e produção de objetos.
            Para finalizar e resumir o que Rosangela Rennó representa para a arte, com todo o repertorio de obras criadas e expostas, caracteriza-se no mundo contemporâneo, abordando o passado, dando identidades e às vezes “rostos” aos personagens que aqui viveram.             Apesar de ainda em começo de sua carreira, ter usado também de suas lembranças e valores infantis, como a Série Alice, com oito fotos apenas.













FERNANDA MAGALHÃES


Graduada em artes visuais na UEL, onde hoje é professora e chefe da divisão de artes plásticas da casa de cultura, especializou-se em fotografia, além de ser doutora em artes pela Unicamp.
Ficou reconhecida após ganhar o Prêmio Marc Ferrez de fotografia do Ministério da Cultura/FUNARTE pelo projeto: “A Representação da Mulher Gorda Nua na Fotografia.”
Em seus trabalhos é constante a presença da rebeldia, questionando e afrontando os padrões de beleza e “normalidade” impostos na sociedade. A artista denuncia certos preconceitos promove uma imagem positiva da mulher obesa, que também é feliz e humana. As minorias como, homossexuais, deficientes, entre outros também são preocupações de Fernanda.
Através de sua produção, a artista participa criticamente
de debates no Brasil e no exterior, para discutir difíceis problemas sociais e
individuais, como a obesidade, a anorexia e a autoestima.
No projeto A Representação da Mulher Gorda Nua na Fotografia, ela expões corpos de mulheres gordas em formas sensuais.

Em alguns momentos é o próprio corpo da artista que está representado em fotografia, ela exclui o seu rosto e mostra o seu corpo, assim ressalta o preconceito que sofre e mostra que não é um problema sofrido só por ela, mas por várias mulheres.


Seu objetivo não é a defesa de pessoas obesas, e sim desconstruir as imagens que serve de base para ações preconceituosas e desrespeitosa.

Ela possui um blog sempre atualizado, para conhecer mais o seus projetos basta acessá-lo: http://fermaga.blogspot.com/



 

13 comentários:

  1. achei o texto um pouco confuso. não conseguir entender bem qual é a proposta da primeira fotógrafa. vocês mostraram duas (ou foram mais e eu não entendi) exposições dela que, pelo texto lido, eu não consegui relacionar. a segunda fotógrafa já foi mais fácil de entender, de descobrir qual é a linha dela.

    mesmo assim, e mesmo não entendendo muito o post, acho importante esse trabalho de mostrar o diferente, o marginalizado, o excluído, seja na fotografia ou em qualquer meio.

    mas, esteticamente falando, a qualidade das fotos é bem ruim, e isso faz com que as pessoas (eu inclusive) percam a curiosidade e a atenção depois de poucos minutos.

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  2. As fotografias apresentam, como a maioria das obras de arte contemporânea, uma proposta além do óbvio e agradável. Estímulos incomuns, que não afagam o gosto acostumado com os apelos da maioria das imagens.
    Essa obra da Fernanda Magalhães, com cabeça da Vênus de Willendorf me faz lembrar uma das maneiras que essa estatueta, com cerca de 30.000 anos, é apresentada por nossos sábios especialistas. Dizem que naquele tempo, de pouca comida, era difícil e raro uma mulher assim, por isso serem consideradas belas. Não se admite que uma mulher gorda possa ser considerada bela e ponto final.

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  3. Particularmente, gostei das fotos pois propõem várias representações para o CORPO. O corpo do Cristo, o corpo do que dorme, o corpo do amante,
    o corpo que não agrada ninguém....

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  4. Achei interessante o trabalho das artistas, diferente do comum! Só achei o texto grande, como é blog, acaba cansando.

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  5. Samantha de Paula15 de abril de 2010 07:17

    Gostei bastante das informações. Realçou o trabalho importante das artistas. O único problema é que eu acho que o pessoal está esquecendo que em um blog os textos devem informar, mas de uma forma objetiva. Fica a DICA!

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  6. Cristiane Rodrigues15 de abril de 2010 07:37

    Concordo com vocês, Gláucia e Samantha!
    podemos contar nos dedos de uma só mão os textos que são típicamente de um blog...

    particularmente as fotografias de Rosângela Rennó como ela mesma explica, fogem ao comum o que as tornam únicas...
    ter uma imagem diferente da "convencional" foto aos pés do Cristo Redentor é muito mais interessante do que uma imagem dos típicos sorrisos de turistas maravilhados com o Rio.
    muito bom saber que nem todos os artistas sem contentam com um só olhar... Concordo com vocês, Gláucia e Samantha!
    podemos contar nos dedos de uma só mão os textos que são típicamente de um blog...

    particularmente as fotografias de Rosângela Rennó como ela mesma explica, fogem ao comum o que as tornam únicas...
    ter uma imagem diferente da "convencional" foto aos pés do Cristo Redentor é muito mais interessante do que uma imagem dos típicos sorrisos de turistas maravilhados com o Rio.
    muito bom saber que nem todos os artistas sem contentam com um só olhar...

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  7. Concordo com a Gláucia, o texto ficou enorme e, por isso, cansativo.
    Mas, o tema é bem legal. Não conhecia, mas achei interessante o trabalho com as fotos. Retratar o corpo de formas diferentes, com um olhar livre de preconceito, é uma proposta que sempre me agradou porque nos faz pensar de outra forma a respeito daquele corpo tão estereotipado e difícil de alcançar, proposto pela mídia convencional.

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  8. Concordo com as meninas, um texto de blog é informal e deve ser menor.

    As duas fotógrafas, com estilos diferentes trabalham com a dialética corpo e identidade. Apresentam uma arte que chega até "ferir" nosso olhar domesticado.

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  9. Não conhecia o trbalaho das artistas antes e me impressionei. Principalmente com as primeiras fotos, se me descrevessem a ideia do trabalho, provavelmente não ia me interessar. Mas vendo o resultado, amei! Em especial a da cortina de fumaças.

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  10. Gostei muito das fotos da Rosângela Rennó. Entretanto, o texto do blog...
    Desculpem-me pela expressão regionalista de meu município, mas esse texto ficou:
    “ A P-e-g-a-d-a”

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  11. Fiquei impressionada com as fotos!!! Também não conhecia o trabalho. Pessoal, vamos sintetizar as matérias para o blog, com certeza ficarão mais interessantes!!

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  12. Já que foi bastante citado a questão do tamanho dos textos para o blog,vou pedir para o pessoal também sintetizar os posts.Nesse texto por exemplo, ao terminar de ler as informações da última artista já não me lembrava tanto da primeira....Enfim o que conseguir perceber é que são tipos de artes diferentes, incomuns, mas que no entanto são de bom gosto e de grande importância. A foto de um ângulo diferente do Cristo Redentor é ótima!!!!

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  13. Acho interessante o fato da artista utilizar seus trabalhos também com objetivos sociais. A afronta ao padrões de beleza e a "normalidade" enriquece, na minha opnião, suas obras.

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